País registrou mais de 417 mil mortes em 2024; hipertensão, diabetes, tabagismo e sedentarismo estão entre os principais fatores de risco.
Uma pessoa morre a cada 72 segundos no Brasil em decorrência de doenças cardiovasculares. O número equivale a aproximadamente 1.194 mortes por dia, ou cerca de 50 por hora, segundo dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) em outubro de 2026.
Até as 11h do dia 8 de outubro, o Cardiômetro, ferramenta da entidade que acompanha a mortalidade cardiovascular, contabilizava 334.898 óbitos no país naquele ano.
Os dados foram apresentados durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado no Rio de Janeiro, em conjunto com o Congresso Mundial de Cardiologia. Na ocasião, a SBC também lançou uma plataforma de indicadores epidemiológicos para ampliar o acesso às informações sobre essas doenças.
Brasil registrou mais de 417 mil mortes em 2024
De acordo com dados da SBC, baseados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 417.550 mortes por doenças cardiovasculares em 2024. O total correspondeu a 27,3% de todos os óbitos contabilizados no país naquele ano.
A plataforma da entidade também apresenta uma projeção de 462.573 mortes anuais por essas doenças até 2030, o que representaria um aumento estimado de 10,8% em relação a 2024.
A estimativa é um cenário estatístico e não uma previsão definitiva. Mudanças nos fatores de risco, no acesso aos serviços de saúde e nas políticas de prevenção podem alterar essa trajetória.
Quais doenças estão relacionadas?
As doenças cardiovasculares afetam o coração e os vasos sanguíneos. Entre as principais condições estão:
Infarto: ocorre quando o fluxo sanguíneo para parte do músculo cardíaco é interrompido.
Acidente vascular cerebral (AVC): acontece quando há interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro ou rompimento de um vaso cerebral.
Doença arterial periférica: compromete a circulação sanguínea, especialmente nos membros inferiores.
Doenças hipertensivas: estão relacionadas à pressão arterial elevada e podem provocar complicações no coração, no cérebro e nos rins.
Embora estejam relacionadas ao sistema circulatório, as doenças cardiovasculares não abrangem todos os problemas vasculares. O termo vascular também inclui condições venosas e linfáticas, como trombose venosa profunda, varizes e linfedema.
Hipertensão, diabetes e sedentarismo exigem atenção
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, controlar a hipertensão e o diabetes, reduzir o tabagismo e combater a obesidade e o sedentarismo são medidas importantes para diminuir o risco cardiovascular.
A prevenção também inclui manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, acompanhar a pressão arterial e os níveis de colesterol e realizar acompanhamento de saúde.
Pessoas com fatores de risco ou histórico familiar devem conversar com um profissional de saúde para definir a frequência adequada de avaliações e exames.
Reconhecer os sinais pode salvar vidas
Dor ou pressão no peito, falta de ar súbita, suor frio e mal-estar intenso podem indicar um infarto. Já a perda súbita de força em um lado do corpo, alterações na fala, assimetria facial e perda repentina de visão podem ser sinais de AVC.
Diante da suspeita de infarto ou AVC, é fundamental procurar atendimento de emergência imediatamente. No Brasil, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado pelo número 192.
A rapidez no atendimento pode fazer diferença no tratamento e na redução de sequelas.
Fontes: Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), por meio do Hub de Dados de Estatística Cardiovascular; CNN Brasil, reportagem publicada em 10 de outubro de 2026; Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).
Nota editorial: os números de mortalidade apresentados nesta matéria referem-se especificamente às doenças cardiovasculares, conforme a classificação utilizada pela SBC.



