Bolsa coletada no Ceará foi enviada a Juiz de Fora, em Minas Gerais, após a identificação de um doador compatível; operação busca reduzir o tempo de transporte entre estados
Uma bolsa de sangue raro cruzou o país em um voo comercial para atender um paciente em estado grave internado em Juiz de Fora, Minas Gerais. O transporte foi realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em parceria com companhias aéreas, após a rede de hemoterapia localizar um doador compatível no Ceará.
Segundo o Ministério da Saúde, o material foi coletado na quinta-feira (8 de outubro) e chegou ao destino na sexta-feira (9). Esta foi a segunda operação desse tipo realizada no Brasil, com transporte de sangue raro na cabine de uma aeronave comercial.
A iniciativa busca acelerar o envio de bolsas de sangue entre estados para atender pacientes que precisam de transfusões específicas e não encontram doadores compatíveis na própria região.
Cadastro nacional ajudou a localizar doador
O paciente havia passado por um transplante renal. Durante os exames realizados antes da transfusão, os profissionais identificaram o anticorpo anti-Jsb, característica que dificultou a localização de sangue compatível.
Diante da situação, a rede de hemoterapia acionou o Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), coordenado pelo Ministério da Saúde. O sistema permitiu localizar um doador no Ceará, que compareceu ao hemocentro para realizar a doação.
A bolsa foi acondicionada em embalagem apropriada, com controle rigoroso de temperatura, para preservar as condições necessárias durante o transporte.
O que é considerado sangue raro?
Um perfil sanguíneo é considerado raro quando aparece em menos de uma a cada mil pessoas testadas. Além dos sistemas sanguíneos ABO e Rh, existem outros antígenos presentes na superfície das hemácias que precisam ser considerados para garantir a compatibilidade em determinadas transfusões.
Quando um paciente possui anticorpos contra um desses antígenos, encontrar sangue adequado pode exigir uma busca por doadores em diferentes regiões do país.
Criado em 2013, o Cadastro Nacional de Sangue Raro reúne 2.032 doadores e já contribuiu para o atendimento de mais de 300 pacientes, conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde.
Transporte aéreo amplia possibilidades de atendimento
Antes da ampliação da parceria com as companhias aéreas, as bolsas de sangue raro eram transportadas como carga, modalidade sujeita a prazos maiores e restrições operacionais.
Com a inclusão desse material no acordo de cooperação, o transporte gratuito na cabine de aeronaves comerciais pode ocorrer com maior agilidade, inclusive durante a noite, nos fins de semana e feriados.
A operação envolve o Ministério da Saúde, o Sistema Nacional de Transplantes, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os hemocentros e as companhias aéreas.
O primeiro transporte gratuito de sangue raro na cabine de um voo comercial no Brasil ocorreu em setembro, quando uma bolsa foi enviada de São Paulo ao Piauí para atender um paciente com doença renal crônica que precisava de transfusão.
Fonte: Ministério da Saúde.
Leia a notícia oficial: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/outubro/sus-sangue-raro-cruza-o-pais-em-voo-comercial-para-atender-paciente-em-estado-grave
FOTO: crédito para Paulo Cavalcanti/HEMOCE



