Pouca gente sabe, mas o primeiro cemitério de Franca não ficava onde hoje está o Cemitério da Saudade.
Nos primeiros anos de existência da então Vila Franca, os sepultamentos eram realizados nos fundos da antiga Igreja Matriz, localizada no atual Centro da cidade. Era uma prática bastante comum no Brasil dos séculos XVIII e XIX: as pessoas eram enterradas próximas às igrejas, consideradas locais sagrados.
Naquela época, a proximidade entre vivos e mortos fazia parte do cotidiano. Os enterros aconteciam ao redor ou mesmo no interior dos templos religiosos, especialmente no caso de pessoas de maior prestígio social.
Com o crescimento da população e as mudanças nas normas sanitárias ao longo do século XIX, essa prática começou a ser abandonada. As autoridades passaram a considerar inadequados os sepultamentos em áreas centrais, principalmente por questões de saúde pública.
Foi assim que Franca passou a contar com cemitérios instalados em áreas afastadas do núcleo urbano, seguindo uma tendência observada em diversas cidades brasileiras.
Embora o antigo cemitério atrás da primeira Matriz já não exista, ele permanece como um capítulo pouco conhecido da história francana, lembrando como eram os costumes e a organização da cidade em seus primórdios.

Ivan Rubens


