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Dom Diógenes Silva Matthes

Dom Diógenes Silva Matthes

Dom Diógenes Silva Matthes foi o primeiro bispo da Diocese de Franca e uma das figuras religiosas que mais marcaram a história da cidade e da região na segunda metade do século XX. Nascido em 12 de outubro de 1931, em Serrania, no sul de Minas Gerais, foi registrado em Caconde, no interior de São Paulo, cinco dias depois. Era filho de Gustavo Orlando Matthes e Aparecida Silva Matthes.

Sua formação religiosa começou ainda jovem. Dom Diógenes estudou nos seminários de Campinas, Ribeirão Preto e São Paulo, passando pelo Seminário Diocesano Maria Imaculada, em Ribeirão Preto, instituição da qual fez parte da primeira turma. Mais tarde, completou sua formação filosófica e teológica em São Paulo. Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1957, na Catedral da Sé, pelas mãos de Dom Antônio Maria Alves de Siqueira.

Onde Dom Diógenes atuou antes de chegar a Franca?

Antes de se tornar bispo, Dom Diógenes exerceu diferentes funções ligadas à formação religiosa e ao trabalho pastoral. Atuou como sacerdote em Ribeirão Preto e em Santa Rita do Passa Quatro, onde foi pároco. Também trabalhou como assistente espiritual de movimentos e organizações católicas, entre eles as Equipes de Nossa Senhora, o Movimento Familiar Cristão, o Círculo Operário Católico, a Juventude Agrária Católica e a Juventude Independente Católica. Também foi capelão da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Essa experiência ajudou a formar o sacerdote que, poucos anos depois, assumiria uma Diocese recém-criada. Em 1971, a Igreja Católica criou a Diocese de Franca, desmembrada da Arquidiocese de Ribeirão Preto. A criação oficial ocorreu em 20 de fevereiro daquele ano, por meio da bula papal Quo Aptius.

Como Dom Diógenes se tornou o primeiro bispo de Franca?

Dom Diógenes foi nomeado primeiro bispo da Diocese de Franca em março de 1971. Sua ordenação episcopal ocorreu em 11 de junho, na Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto. No dia seguinte, 12 de junho, tomou posse em Franca, em cerimônia presidida por Dom Bernardo José Bueno Miele. Tinha apenas 39 anos e passou a conduzir uma Diocese que estava começando a organizar sua estrutura, suas paróquias e seu trabalho pastoral.

Seu lema episcopal era “Amados no Senhor”, expressão que acompanhou sua trajetória à frente da Igreja Particular de Franca.

Como foi seu trabalho à frente da Diocese de Franca?

Dom Diógenes permaneceu como bispo diocesano por 35 anos, de 1971 a 2006. Durante esse período, acompanhou a expansão da Diocese, a criação de paróquias, a formação de lideranças e o crescimento das vocações sacerdotais. Segundo a Diocese de Franca, ele ordenou mais de 70 padres e participou da criação de diversas paróquias ao longo de seu episcopado.

Também teve papel importante na formação de novas comunidades e movimentos religiosos. Em 1974, por exemplo, acolheu em Franca os primeiros integrantes do Caminho Neocatecumenal, que iniciaram na Diocese as primeiras comunidades desse movimento no Estado de São Paulo.

Qual foi sua relação com Santa Gianna Beretta Molla?

Uma das marcas do episcopado de Dom Diógenes foi sua ligação com a história de Santa Gianna Beretta Molla. O bispo foi um dos grandes divulgadores da devoção à religiosa italiana, cujo processo de canonização esteve relacionado a um milagre ocorrido em Franca. A história envolveu a cura de uma mulher francana, fato que ganhou importância dentro da Igreja Católica e contribuiu para o reconhecimento de Santa Gianna, canonizada pelo papa João Paulo II em 2004.

A devoção a Santa Gianna acabou se tornando uma das referências religiosas associadas à própria história de Franca, e Dom Diógenes permaneceu ligado a essa trajetória mesmo depois de deixar o governo da Diocese.

Quando Dom Diógenes deixou o comando da Diocese?

Após 35 anos à frente da Diocese de Franca, Dom Diógenes apresentou sua renúncia por motivo de idade. A Santa Sé aceitou o pedido em 29 de novembro de 2006, quando ele passou à condição de bispo emérito. Foi sucedido por Dom Frei Caetano Ferrari, que já havia sido nomeado bispo coadjutor da Diocese.

Mesmo depois de deixar o governo da Diocese, Dom Diógenes continuou vivendo em Franca e manteve forte ligação com a comunidade. Em 2015, por exemplo, participou da ordenação episcopal de Dom Devair Araújo da Fonseca, realizada em Franca, ao lado de Dom Paulo Roberto Beloto.

Quando Dom Diógenes morreu?

Dom Diógenes Silva Matthes morreu em Franca na madrugada de 20 de novembro de 2016, aos 85 anos, após sofrer um infarto. Foi velado na Catedral Nossa Senhora da Conceição, onde também foi realizada a missa de corpo presente. Seu corpo foi sepultado na cripta da própria Catedral, templo que havia se tornado a sede da Diocese de Franca desde sua criação.

Qual é o legado de Dom Diógenes para Franca?

Mais do que o primeiro bispo de uma Diocese recém-criada, Dom Diógenes foi uma presença constante na formação da Igreja Católica de Franca durante 35 anos. Acompanhou a criação de paróquias, a formação de padres e lideranças, o surgimento de movimentos religiosos e diferentes momentos da vida da comunidade francana.

Sua trajetória também ultrapassou os limites da Igreja. O trabalho social e a atenção dedicada às pessoas mais humildes fizeram com que se tornasse uma figura conhecida e respeitada por diferentes setores da sociedade francana. Em 2026, seu nome foi escolhido para denominar o Hospital Estadual de Franca, uma homenagem que reconhece sua importância para a história da cidade e sua dedicação ao cuidado com as pessoas.

Dom Diógenes deixou, assim, uma marca profunda na história religiosa de Franca. Foi o primeiro bispo de uma Diocese que acompanhou nascer e ajudou a construir ao longo de 35 anos, permanecendo na memória da cidade como uma das personalidades que participaram de sua formação no século XX.