Poucos espaços possuem uma ligação tão profunda com a história econômica, cultural e social de Franca quanto o Parque de Exposições "Fernando Costa". Mais do que um recinto destinado a eventos, o local transformou-se, ao longo das décadas, em um dos principais símbolos da cidade, palco de exposições agropecuárias, festas tradicionais, celebrações religiosas e grandes encontros populares.
A origem do parque está diretamente ligada à vocação agropecuária da região. No início da década de 1940, Franca já se destacava pela qualidade de seu rebanho bovino e pela força de seus produtores rurais. Em 27 de março de 1943, durante a visita do interventor paulista Fernando Costa à cidade, foi organizada a primeira grande exposição pecuária de Franca, realizada de forma improvisada no campo da Associação Atlética Francana. O sucesso do evento despertou a necessidade de um espaço permanente para exposições agropecuárias.
A construção do recinto começou ainda na década de 1940, mas enfrentou períodos de paralisação. Somente no início dos anos 1950 as obras foram retomadas, graças ao esforço conjunto de lideranças políticas, produtores rurais e do Governo do Estado. A área destinada ao parque, com aproximadamente 150 mil metros quadrados, foi doada pelo pecuarista Tenente Continentino Jacintho à Prefeitura de Franca, que posteriormente a cedeu ao Estado de São Paulo.
Em 27 de junho de 1953, Franca inaugurava oficialmente o Parque Permanente de Exposições "Fernando Costa" durante a realização da I Exposição Regional de Animais e Produtos Derivados. O acontecimento mobilizou toda a cidade e foi considerado, à época, um dos maiores eventos já realizados no município. A partir daquele momento, Franca passou a integrar o circuito das grandes exposições agropecuárias do país.
Com arquitetura inspirada no estilo neocolonial, bastante valorizado nas décadas de 1930 e 1950, o parque tornou-se também um importante patrimônio arquitetônico. Sua fachada principal e demais construções representam um período em que o país buscava valorizar referências da arquitetura colonial brasileira aliadas às ideias de modernidade e progresso. Atualmente, o conjunto é tombado pelo CONDEPHAT e reconhecido como patrimônio histórico e cultural.
Ao longo das décadas, o Fernando Costa consolidou-se como palco de alguns dos eventos mais tradicionais de Franca. A Expoagro, considerada uma das principais feiras agropecuárias do interior paulista, ajudou a projetar nacionalmente a pecuária regional. O espaço também passou a sediar festas religiosas, como o Hallel, além das Cavalhadas, Feira da Fraternidade, comemorações do aniversário da cidade e inúmeros eventos culturais e populares.
Mais recentemente, o parque ampliou ainda mais sua função social. Além dos grandes eventos, a ampla área verde passou a ser utilizada diariamente pela população para caminhadas, atividades físicas, piqueniques, lazer e convivência, transformando-se em um dos principais espaços públicos de Franca.
Hoje, o Parque Fernando Costa permanece como um dos mais importantes símbolos da identidade francana. Sua história reflete não apenas a tradição agropecuária da região, mas também a capacidade da cidade de preservar sua memória e transformar seus espaços históricos em locais de encontro, cultura e convivência.

Ivan Rubens

