Monsenhor Rosa

Cândido Martins da Silveira Rosa, conhecido como Monsenhor Rosa, nasceu em 1838, na cidade de Jacareí. Filho de Ana Rosa da Conceição, iniciou sua formação religiosa no Seminário de Bom Jesus de Pirapora e posteriormente ingressou no Seminário Episcopal de São Paulo, instituição criada por Dom Antônio Joaquim de Melo e considerada uma das mais importantes escolas de formação do clero brasileiro no século XIX.
Em 1860, ainda jovem sacerdote, foi enviado para Franca. O que inicialmente seria apenas uma missão pastoral transformou-se em uma ligação definitiva com a cidade. Monsenhor Rosa permaneceu em Franca por mais de quatro décadas, até sua morte, tornando-se uma das figuras mais influentes da vida religiosa, social e política local.
Seu trabalho ultrapassou os limites da evangelização. Convencido de que a educação era fundamental para o desenvolvimento da sociedade, empenhou-se na criação e fortalecimento de instituições de ensino. Em 1888, fundou o Colégio Nossa Senhora de Lourdes, destinado à educação feminina. Anos depois, articulou a vinda dos Irmãos Maristas para Franca, viabilizando a criação do Colégio Champagnat, que se tornaria uma das mais tradicionais instituições de ensino da cidade.
Na área social, Monsenhor Rosa liderou a criação da Sociedade São Vicente de Paulo em Franca, em 1895, e teve participação decisiva na fundação da Santa Casa de Misericórdia, inaugurada em 1897, instituição que até hoje presta relevantes serviços à população francana.
Seu nome também está profundamente ligado ao patrimônio arquitetônico da cidade. Em 1898, iniciou a construção da atual Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, hoje a Catedral Nossa Senhora da Conceição. A grandiosa obra seria concluída apenas em 1913, já após sua morte, mas permanece como um dos maiores símbolos históricos e religiosos de Franca.
Além de sacerdote, Monsenhor Rosa teve intensa participação na vida pública. Ligado ao pensamento católico ultramontano e ao Partido Conservador, destacou-se nos debates políticos e religiosos do final do século XIX. Sua atuação firme em defesa da Igreja lhe rendeu o apelido de "Trovão do Sul", devido à eloquência e vigor de seus discursos e artigos publicados na imprensa regional.
Monsenhor Rosa faleceu em Franca, em 21 de setembro de 1903, após enfrentar problemas de saúde. Mais de um século depois, seu legado permanece presente em hospitais, escolas, igrejas e na própria identidade cultural da cidade. Poucos personagens contribuíram tanto para moldar a Franca que conhecemos hoje.



