Sônia Menezes Pizzo

Nascida em Franca, em 6 de janeiro de 1931, Sônia Menezes Pizzo veio ao mundo em uma simples casa de fundo de quintal localizada na Rua Tomaz Gonzaga, na região conhecida na época como Campo das Galinhas, área tradicional do centro da cidade. Filha do motorista de praça Jerônimo Guido Menezes, que exerceu a profissão por mais de quatro décadas, e de Albertina Moreira da Silva, trabalhadora doméstica, cresceu ao lado dos irmãos Melaida e Arthur em uma família humilde, marcada pelo esforço e pela valorização dos estudos.
Durante a infância, enfrentou preconceitos sociais devido à sua origem humilde. Mesmo diante das dificuldades, recebeu do pai um incentivo decisivo para prosseguir nos estudos. Formou-se professora pelo tradicional Colégio Nossa Senhora de Lourdes e passou a lecionar, transmitindo aos alunos não apenas conhecimento, mas também valores ligados ao respeito, à igualdade e ao combate à discriminação.
Em 1951, casou-se com o contador Américo Pizzo, com quem teve dois filhos, Américo Pizzo Júnior e Mauro Menezes Pizzo. Após ficar viúva em 1985, voltou a se casar anos depois com o agricultor Cecílio Jorge. A família sempre ocupou papel central em sua vida, especialmente os netos e bisnetos, dos quais demonstrava enorme orgulho.
Sua trajetória na comunicação começou em 1958, quando recebeu do jornalista Alfredo Henrique Costa, diretor do jornal Comércio da Franca, o convite para escrever uma coluna social. Em uma época marcada pelo forte preconceito contra mulheres que atuavam na imprensa, decidiu adotar o pseudônimo "Patrícia", evitando que a família fosse alvo de críticas e comentários machistas.
O pseudônimo acabaria se transformando em uma das marcas mais conhecidas da comunicação regional.
Patrícia trabalhou durante 32 anos no Comércio da Franca. Posteriormente, atuou por 21 anos no Diário da Franca e, mais tarde, retornou ao Comércio da Franca, onde manteve sua tradicional coluna publicada aos sábados.
Sua atuação, entretanto, ultrapassou os jornais impressos.
Apaixonada pelo rádio, apresentou programas nas emissoras Imperador, Difusora, Hertz e União FM. Na televisão regional construiu uma carreira de mais de três décadas, passando pela TV Record e pela TV Clube/Bandeirantes. O programa "Patrícia na TV", exibido nos finais de semana, tornou-se um grande sucesso e lhe rendeu o apelido de "Hebe da Região Mogiana".
Embora fosse reconhecida pelo colunismo social, Patrícia procurava ir além dos eventos e das festas. Seu grande diferencial era valorizar as pessoas e suas histórias, registrando o lado humano dos acontecimentos com sensibilidade, elegância e proximidade.
Ao longo de sua trajetória, participou ativamente de inúmeras causas beneficentes. Esteve entre os participantes da fundação da APAE de Franca e da Francal, além de atuar como madrinha e embaixadora de diversos eventos filantrópicos. Também acompanhou e registrou importantes transformações políticas, econômicas, sociais e culturais vividas pela cidade ao longo do século XX.
Sua dedicação à comunicação e à cidade fez com que conquistasse respeito não apenas em Franca, mas em diversas cidades do interior paulista e também em grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Em 2010, sua trajetória foi registrada no livro "Querida", escrito por Lúcia Helena Maniglia Brigagão, obra que entrelaça sua vida à própria história de Franca.
Patrícia permaneceu profissionalmente ativa até março de 2020, quando precisou se afastar em razão da pandemia de Covid-19. Em agosto daquele ano sofreu um AVC, do qual não conseguiu se recuperar plenamente.
Sônia Menezes Pizzo faleceu em 7 de agosto de 2021, aos 90 anos.
Mais do que uma colunista social, Patrícia tornou-se uma cronista da vida francana. Durante mais de seis décadas, ajudou a contar a história da cidade e, ao fazer isso, acabou tornando-se parte definitiva dela.



